“Antecipar as curvas dessa estrada sinuosa do viver sem estar sempre a prever que a desgraça é que é vindoura. A estrada também leva para o júbilo, ainda que este nunca seja puro, sempre mesclado com a angústia. A pureza é um mito fake. O traçado que estamos inventando enquanto caminhamos pode ser enxergado no retrovisor com gratidão. E quem sabe o que está por vir possa ser vislumbrado mais com entusiasmo do que com ansiosa apreensão.”
Eu sou Eduardo Carli, esse é o terceiro vídeo da série Pensando em Voz Alta, gravado aqui na Casa de Vidro Ponto de Cultura, e esse é um trechinho de um dos meus cadernos íntimos – que tem Chimamanda aqui na capa – e decidi começar partilhando com o público um trechinho desse diário em que eu tento compreender as tormentas psíquicas, os desassossegos íntimos relacionados com essa condição que tantos de nós estamos à mercê dela, sofrendo sob suas garras, que é o transtorno de ansiedade.
E essas palavras aqui me lembram um pouco de uma canção dos Beatles, “The Long and Winding Road”, que é talvez uma das mais belas canções já escritas aí na história da música pop, uma pérola sobre esse navegar pela vida em um certo zigue-zague, com altos e baixos. E esse parágrafo me chamou a atenção quando eu estava relendo esses meus escritos, porque tenta fornecer alguma espécie de antídoto a esse samsara terrível que a ansiedade nos faz vivenciar e que consiste em imaginar o futuro sobretudo a partir de tudo o que pode acontecer de ruim, de péssimo, de desastroso, de catastrófico.
O transtorno de ansiedade, na minha compreensão, tem muito a ver com o sofrimento presente, vinculado sobretudo a esses afetos tristes do campo do medo, do temor, do pavor, do pânico, etc., provocado não exatamente pela presença de um perigo, por estarmos aqui agora (por ex.) diante de uma fera predadora que poderia nos devorar, mas sim porque nós imaginamos um porvir e sofremos por antecipação, levando a sério essa previsão de uma catástrofe vindoura. Por isso que também a título de autoconselho, também numa tentativa de oferecer a mim mesmo uma perspectiva alternativa, eu falo de tentar antecipar as curvas dessa estrada sinuosa do viver, mas sem estar sempre a prever que a desgraça é que é vindoura.
Me parece então que sair do labirinto da ansiedade crônica consiste em encontrar na vida aquela firmeza no passo, aquela segurança na caminhada de quem sabe que o futuro dessa estrada também guarda o júbilo, a alegria dos encontros, a possibilidade do amor, da amizade, da colaboração, da criatividade conjunta, ainda que essas coisas boas que podem estar por vir estejam também sempre mescladas com a angústia, a angústia de perder um vínculo, a angústia de perder algo precioso, a angústia que nos habita, que faz parte do nosso mundo emocional e que é também essa fiel escudeira dos ansiosos.
Nós estamos quase sempre em uma apreensão de um mal, de um sofrimento, de um horror que está prestes a despencar sobre nossas cabeças. Então vivemos preocupados e vivemos sem a capacidade de respirar fundo, relaxar, repousar, descansar, na certeza que muitas vezes nos parece bastante ingênua de que só coisas boas estão por vir. Então, acredito que o complexo de afetos que constitui o transtorno de ansiedade diz respeito ao imaginário, sobretudo a um imaginário com tendência ao pessimismo, que nos enche de temores a respeito do que essa estrada nos reserva nessa futuridade em direção a qual caminhamos.
Eu li recentemente esse livro de Alexandre Coimbra Amaral, “Toda Ansiedade Merece um Abraço”, e o autor, um psicoterapeuta, bastante midiático, podcaster, presença bastante recorrente, até mesmo na Rede Globo, no Encontro com Fátima Bernardes, escreveu um livro fácil de ler, leve, agradável, que tem boas sacadas, escrito com uma certa graça, mas eu também tenho muitas críticas ao que é dito aqui, ou sobretudo ao que não é dito aqui, ao que se omite, ao que se oculta e ao que se vende como solução, mas que para muitos de nós não solucionará muita coisa.
Eu começo por fazer um elogio a uma ideia que eu achei importante desse livro, que é a afirmação de que o equilíbrio estático não existe, que a gente deve desencanar desse sonho de sermos pessoas equilibradas, pessoas que não passam por altos e baixos, de algum modo ele está aqui afirmando que “a inquietação ansiosa é o oposto exato daquilo que inventaram como sendo o equilíbrio”. Ele continua na página 135, uma ideia muito interessante de ser examinada, porque
“as ciências naturais já provaram que não existe equilíbrio estático em nada no universo e que estamos todos imersos em um mundo complexo, em transformação contínua. O tal equilíbrio que exige que tenhamos é uma obra de ficção. Não conseguimos ser o que se apregoa. O Instagram está aí para provar que conseguimos fingir muito bem a felicidade, a realização, a foto perfeita que se esconde por trás de um filtro, a harmonia dos relacionamentos conjugais, etc. O equilíbrio é um sonho humano, mas não é atingível pela experiência mais realista do que essa palavra possa significar. Equilíbrio é, no máximo, um estado de relativa pacificação das emoções e sentimentos, atingido por muito pouco tempo e que é facilmente perturbado por informações, cenas e sensações surpreendentes. Podemos estar num dia de férias, na rede, felizes, e ainda assim uma parte de nós está preocupada com a saúde daquela irmã que tem uma doença grave, com a fatura do cartão de crédito, com a volta ao trabalho que promete ser cheia de desafios, quando colocamos a lupa na vida cotidiana, não somos equilibrados. Estamos numa corda bamba emocional que tem que se haver com o aparecimento de dados novos com o que teremos que lidar a cada novo instante.”
Portanto, abandonar o sonho de um equilíbrio perfeito, que ele mesmo afirma com base nas ciências naturais que não existe no universo. E eu ao ler esse trecho fiquei pensando muito também na experiência cotidiana que temos nós ciclistas, bicicleteiros, nós que nos locomovemos pela cidade com as nossas magrelas, porque existe uma frase, se eu não me engano, atribuída ao Albert Einstein, que diz que viver é um pouco como andar de bicicleta: para manter-se em equilíbrio instável, dinâmico, é preciso manter-se em movimento. Se você não pedalar, você perde o equilíbrio e a bike tomba.
Eu acho essa uma ideia interessante. Ainda assim, isso está longe de ser uma apologia ou um elogio do desequilíbrio, do desregramento, dos excessos. E eu, enquanto um educador, enquanto um filósofo, muitas vezes me vejo no contexto da sala de aula, inclusive na manhã de hoje, estive com três turmas do ensino médio no IFG de Anápolis, e eu percebo na história da filosofia uma exortação às virtudes, um chamado que os filósofos fazem, Sócrates é o maior exemplo disso, para que as pessoas se apliquem a exercitar, a praticar as virtudes, entre elas a moderação, a sophrosyne, o nada em demasia, que junto com o conhece-te a ti mesmo, estavam lá como os grandes mandamentos do oráculo de Delphos.
Então me parece que o transtorno de ansiedade, ele é sim um desequilíbrio, uma alção, no sentido de que a nossa mente se torna exageradamente tomada por esses afetos do temor, da preocupação, do pior estar por vir, do um desastre pode acontecer a qualquer momento. Então é preciso pensar em como a filosofia, a psicologia e outras áreas das ciências humanas aplicadas podem agir sobre nossas vidas para impedir esse desequilíbrio, onde o imaginário pessimista acaba pesando tanto que ele torna o sujeito, muitas vezes, incapaz de vislumbrar que o porvir também pode nos trazer, ou que nós podemos conquistar deste porvir, muitas vivências de júbilo, de companheirismo, de camaradagem, de união solidária em prol de construções significativas, por aí vai.
Ainda sobre o livro do Alexandre Coimbra Amaral, queria tecer alguns comentários sobre a ansiedade no nosso mundo atual, que cada vez mais nos instiga e nos provoca a falar diante do real a frase “porra, isso é muito Black Mirror . E ele tem algumas reflexões interessantes sobre os apps estão, sobre as fake news, sobre as redes sociais e sobre o FOMO, né, essa condição, o Fear of Missing Out, o medo de estar por fora.
E eu tenho refletido muito sobre isso, sobre a fissura em que estamos diante desses apps de comunicação instantânea. “Quando o WhatsApp apareceu no mundo em 2009, ele prometia uma revolução na comunicação humana” ele escreve aqui na página 101. “Pela primeiríssima vez passaríamos a ter um meio de comunicação que poderia conectar várias conversas rápidas, construir uma sensação de intimidade com o interlocutor, com a viralização das figurinhas divertidíssimas, que ajudam a dar um contorno ainda mais leve para tudo que se falar de mais denso por ali. Um ideal, né, que é descrito. E, no entanto, hoje nós vemos que o que foi prometido não se cumpriu, que o zapistão virou uma força satânica – e eu nem vou falar aqui da eleição de Jair Bolsonaro em 2019 com uma enxurrada de fake news paga ilegalmente no zapistão, isso daria um outro programa. Mas o fato é que a gente está sobrecarregado com excessos de mensagens, uma obrigação de respondê-las rápido.
E diz o autor, “nós perdemos um tanto da capacidade de distinguir quando estamos diante de uma urgência ou somente de uma experiência ansiosa com que podemos lidar. Distorceu-se a tolerância ao tempo de espera. Hoje partimos do princípio de que o destinatário da mensagem tem disponibilidade quase imediata para responder. E a demora na resposta deixou de ser sentida como uma liberdade para a vida ter outros a fazer e agora sentimos como descaso, desimportância, desqualificação. Podemos até criar hipóteses catastróficas, sobretudo o que podemos ter feito para essa pessoa nos cancelar, nos deixar no vácuo sem resposta, como se uma demora mínima para dar um retorno fosse uma espécie de ghosting diário a que pudéssemos estar submetidos. Se quisermos melhorar nossa ansiedade, precisamos pensar em como estamos lidando com o WhatsApp e com qualquer aplicativo de mensagens instantâneas.”
“O hábito pernicioso de poder dirigir-se ao outro a qualquer momento do dia esgarçou o sentido de urgência. Passamos a ver emergência onde apenas existe um tipo de ansiedade fabricada pelo nosso tempo. E assumir que é ansiedade e não urgência é uma maneira eficiente de delinear melhor um freio interno, uma pausa para respirarmos e sermos menos impulsivos, que pode nos reconduzir a uma convivência menos saturante. Estamos saturados desse funcionamento veloz, acelerado e gerador de ansiedade em todos os poros do tempo”, escreve o Alexandre.
Eu acho isso importante. A gente tem compreendido a mensagem instantânea nos aplicativos como uma espécie de chamado para estarmos sempre ligados. E isso gera uma comunicação muitas vezes prejudicada pelo excesso de velocidade de resposta, quando seria muito melhor se a pessoa pausasse, parasse para pensar, elaborasse essa resposta e algumas horas depois comunicasse. E algumas horas depois ainda é muito rápido se a gente pensar na história pregressa da humanidade e como por muito tempo a comunicação se deu por exemplo por cartas – isso se perdeu totalmente! Quem hoje escreve cartas? Quem é que vai ao correio remeter um manuscrito para uma pessoa distante se pode deixar um áudio no WhatsApp, ou se pode entrar no Twitter/X, no Facebook da pessoa e postar imediatamente no feed dela o conteúdo que seria colocado numa carta que só seria lida, sei lá, dez dias depois?
Mas de fato entramos numa distorção da comunicação, onde o imediatismo e essa ansiedade da troca contínua se tornaram uma força de fato muito ansiogênica. E isso nos leva também a esse interessante conceito de FOMO. Na página 111, ele vai falar, num parágrafo que eu achei brilhante, dessa tendência do fear of missing out.
Por exemplo, eu estou aqui gravando esse vídeo há 24 minutos e o meu celular está ali atrás, quietinho, com o não perturbar ligado, sem notificações sonoras, e no entanto existe uma força dentro de mim que faz parte desse complexo transtornante da ansiedade. Existe quase que um ímã maligno me chamando na direção daquele celular, porque algo na minha mente fala: “olha, alguma coisa pode ter acontecido! olha, alguma mensagem importantíssima pode ter chegado! olha, alguém pode ter curtido aquele seu post~! algum comentário pode ter sido feito! alguma notícia bombástica que está todo mundo sabendo e você ainda não sabe!”
Então, nós nos sentimos compelidos a ficar com o celular na mão o tempo todo e a cada cinco minutos ficar girando feed e checando notificações.
“Vejam só, quantas vezes você se angustia com a famigerada urgência na maior parte das vezes fantasiosa para responder a tudo. Quantas vezes por dia seu coração entra em estado de alerta com medo de que algo muito ruim possa acontecer Ou estar contido naquele número aparentemente inócuo que vai acumulando mensagens não lidas. Em todas as formas de redes sociais acordamos checando notificações, dormimos vendo se não há nada urgente a ser feito. Se despertamos à noite o celular é revisitado. Quem trabalha com algum serviço ao público, profissionais da saúde, educação, direito, está sujeito a receber mensagens a todo momento, sentindo-se extenuado de maneira crônica. A rede social terminou por nos transformar em um planeta ansioso. Pela chegada das notificações ou pela demora no retorno de uma postagem. Adolescentes se sentem pouco amados se a postagem não engaja, se a foto recebe poucas curtidas. Sempre há uma trend, um jeito novo de postar, uma frequência que precisa ser estabelecida nas postagens, senão você será punido pelo algoritmo como o esquecimento, com a invisibilidade cruel e imediata desse mundo virtual.”
O problema, também dirá o Alexandre, é que o que as redes sociais têm feito conosco é “a desconexão com a vida de carne e osso. Trocamos a conexão entre corpos vivos e pulsantes pela conexão do Wi-Fi.” Bom, provocações importantes que apontam para o transtorno de ansiedade, tal como vivenciamos hoje no mundo da hiperconexão, da internet de bolso, dos smartphones proliferantes, e que é uma grande incógnita, o que isso está fazendo com o nosso aparato cognitivo, com as nossas emoções, e há um grande tema para pensarmos juntos em uma outra ocasião, que é a maneira como as big tech, as grandes empresas, sediadas sobretudo no Vale do Silício, na Califórnia, têm conseguido hackear o nosso sistema cerebral e hormonal, sobretudo no que diz respeito à dopamina, e eles têm conseguido nos viciar em processos que liberam pequenas doses de dopamina, mas sempre insuficientes, sempre frustrantes, nos deixando correndo num loop nesse samsara da rede social sempre atrás de doses de dopamina, sempre na postação, na checação, basicamente infoxicados mais do que bem informados. O que está rolando é uma infoxicação e eu ainda acredito no livro como uma forma de detox das mais preciosas – mergulhar num livro, mergulhar no pensamento dos autores, tentar não se distrair do fluxo das páginas, é uma maneira de se reconectar com uma vivência humana importantíssima do ponto de vista da formação cognitiva e da atenção plena.
E também, já me encaminhando para o fim desse vídeo, ainda acredito muito, muito, muito mesmo na escrita, na escrita terapêutica. Recomendo sempre aos meus alunos que escrevam diários, que tenham um caderno onde relatem suas vivências, onde falem sobre suas emoções, onde tratem de suas reminiscências, onde lidem com seus sonhos e projetos. Acho isso tudo muito importante e uma experiência que não deveria ser perdida.
Eu acabo de terminar, no dia de hoje, esse caderno que tem Frida Kahlo na capa, que eu comprei lá na Chapada Diamantina, na Bahia, uma belíssima livraria e hostel, que inclusive está representada lá atrás, a Okan, Coração em Nagô, e são 148 páginas manuscritas que eu comecei em 2 de agosto, com um aforismo chamado Over Worried, ou Preocupado Demais, e que se encerra aqui no dia de hoje, 20 de outubro. Esse caderninho eu chamei de Labirinto do SE, e certamente o grande tema que perpassa tudo que eu escrevi aqui é o transtorno de ansiedade, é a minha tentativa de batalhar contra essa condição, é o meu empenho de compreensão de quais são as características do meu transtorno de ansiedade em específico. Os dois primeiros vídeos dessa série são bastante explicativos, eles entregam muito do que eu considero ser a singularidade de um transtorno de ansiedade, porque cada pessoa de fato é singular, cada sujeito que sofre disso sofre também de uma condição que tem as suas peculiaridades, que tem as suas idiossincrasias, né?
Então eu estou aqui para partilhar, para me abrir, para falar francamente sobre essa ansiedade que é uma esfinge que me esforço em decifrar enquanto ela vai me devorando, como eu escrevi aqui. Mas ao mesmo tempo nós não podemos deixar que essa sensação pervasiva de que algo muito ruim pode acontecer de repente, pode despencar sobre a nossa cabeça, nós não podemos deixar que isso nos paralise. Nós não podemos deixar que o nosso horizonte de expectativa seja totalmente dominado pela preocupação com o horror possível que pode estar por vir. E nós precisamos, enquanto sociedade, enquanto cidadãos interessados no bem viver, interessados em psicoterapia, interessados na aplicação da filosofia à vida, para que ela se torne mais sábia e mais feliz, nós precisamos de fato levar a sério o enfrentamento dessa esfinge chamada ansiedade.
E eu desejo terminar esse vídeo com a principal crítica que eu tenho aqui ao livro do Alexandre Coimbra Amaral, que é a completa inexistência nessa obra de qualquer tipo de reflexão sobre os prognósticos científicos que estão sendo feitos sobre o futuro, sobretudo em relação ao aquecimento global, em relação à questão climática planetária, sobretudo em relação ao colapso de biodiversidade que estamos vivenciando [34:45] e também, sobretudo, pelas ameaças que ainda pairam sobre o futuro da vida no planeta, em virtude das armas nucleares, das bombas atômicas que foram inventadas no século XX e que não serão desinventadas, não sairão da condição humana e planetária, e que ainda estão em certo nível de proliferação, em um cenário de extrema-direita fortalecida internacionalmente e em um cenário onde nós estamos vivenciando genocídios, como aquele que Israel perpetra na Palestina, sobretudo em Gaza, nos últimos dois anos.
E me parece que isso é sim uma fonte de ansiedade que deve ser levada a sério. Não é uma ansiedade fake, não é uma ansiedade fácil de superar, porque ela parece ter um ancoramento na realidade objetiva, caso a gente queira levar a sério os poderes de prognóstico da ciência.
Então a completa ausência de qualquer referência a eco-ansiedade, aquilo que está sendo chamado de ecological grief, as preocupações em relação ao futuro do planeta nos preocupando desde já. A ausência, por exemplo, de qualquer consideração sobre figuras como a Greta Thunberg e a condição dela enquanto uma aspie, uma pessoa diagnosticada com autismo, síndrome de Asperger, e de como ela processa essa síndrome e essa eco-ansiedade que nela se manifesta de maneira muito intensa e consegue, ao invés de sucumbir à paralisia, tornar-se uma das ativistas mais importantes, mais célebres e mais inspiradoras do século 21.
Essa é uma omissão que eu acho grave, eu acho que nós precisamos o quanto antes encarar a tarefa de pensar as ecoansiedades, de pensar o que a catástrofe climática, o colapso da biodiversidade e a ameaça nuclear estão gerando nos sujeitos que se preocupam com isso; e que tipo de neurose, que tipo de transtorno se gera na psique de um indivíduo que quer fingir que está tudo bem, que quer negar que esses problemas existem e que quer viver com base nos dogmas da positividade tóxica. Então há todo um complexo de novas condições psíquicas, emocionais, emergentes e que também são, em vários sentidos, uma emergência de saúde pública, uma emergência de saúde mental.
Nós temos um bilhão de pessoas no planeta que sofrem de algum transtorno de saúde mental, nós temos 720 mil pessoas que se suicidam por ano, e eu acho esses números chocantes, sobretudo é chocante que nós nos importemos tão pouco com isso, que nós nos dediquemos tão pouco com isso, nós nos dediquemos tão pouco a isso. E é um pouco nesse sentido que em 2025, na virada para 2026, a Casa de Vidro Ponto de Cultura está tomando essa atitude, está se direcionando a ser um ponto de cultura que se preocupa a sério com a questão da saúde mental e diante das ansiedades singulares e idiosincráticas que fazem parte do nosso tempo.
Fritos na Terra, também, nosso projeto, nosso coletivo artivista, está se implantando cada vez mais nesse campo do artivismo e da arteterapia, do cuidado com a saúde mental e da denúncia de tudo que no mundo objetivo está causando esses transtornos nos sujeitos e que nós não resolveremos nos sujeitos se nós não enfrentarmos a situação objetiva que gera a doença.
Essa é a grande questão, eu tenho escrito sobre isso, tem um texto chamado Psíquico é Político, muito inspirado por Mark Fisher e por Franco Bifo Berardi, que está publicado no Substack, no site da Casa de Vidro, vocês podem ler, podem debater. E é isso, eu vou ficando por aqui e manifesto mais uma vez, a quem interessar possa, que a Casa de Vidro vai se empenhar para poder beneficiar a comunidade com informação de qualidade e com práticas fecundas e significativas que possam nos ajudar a lidar bem e a lidar juntos, lidar na partilha, com tudo isso que nos aflige e nos oprime, como por exemplo o transtorno de ansiedade, sobre o qual falamos tanto aqui hoje.
É isso, aqueles que assistiram esse vídeo, muito obrigado pela atenção, pela paciência, por serem uma absoluta raridade na internet, onde o tempo de retenção da atenção das pessoas é de 15 segundos, e eu estou aqui fazendo monólogos de 45 minutos, e conquistando proezas de impopularidade e de baixa repercussão, mas eu acho que na internet cabe tudo, inclusive o filósofo, educador, jornalista, músico, que é maluco e que acha que conteúdos densos e falas francas e tentativas de abrir o coração e de partilhar saberes importam para alguns.
Então, se isso importa para você, sinta que estamos juntos e bora conversar. Vamos conversar: a minha empatia e a minha disponibilidade para comunicar, compartilhar e tentar ajudar estão ao dispor de quem quiser entrar nesse diálogo franco, amigo e potencialmente benéfico. Beleza? Muito obrigado. E nos vemos no futuro.
A Casa de Vidro Ponto de Cultura e Centro de Mídia
Сбербанк-Онлайн pinup casino Nəzərə alın ki, özgə el seçərkən sizdən hesab məlumatlarınızı doldurmağınız aman olunacaq. pinup Rəsmi saytda qeydiyyatdan keçmək üçün zəng edib formanı doldurmağınız kifayətdir. basketbol tennis Oyuncular, Pin Up Qumar'da rahatlıqla oynaya və Pin Up Aviator qədər oyunların keyfini çıxara bilərlər. sürətli qeydiyyat